quinta-feira, 31 de março de 2016

[Resenha] Jogador Nº1

Título: Jogador nº 1

Título original: Ready player one 

Autor: Ernest Cline

Editora: LeYa

ISBN: 9788544103166

Número de páginas: 466


Sinopse: "Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência."

Experiência de leitura: Esperar muito para ganhar um presente de natal, abrir o pacote e descobrir que você ganhou um índice telefônico.

A história se passa em um futuro não tão distante no ano de 2044, em um cenário distópico, uma vez que o petróleo acabou e há uma crise energética que deixa milhares de pessoas em uma situação precária, sem emprego, comida e abrigo. Nesse cenário um homem chamado James Donovan Halliday, junto a alguns amigos próximos, desenvolveu uma plataforma virtual chamada OASIS (Ontologically Anthropocentric Sensory Immersive Simulation), onde as pessoas poderiam fugir da realidade criando uma nova vida, trabalhando, jogando e aprendendo, uma vez que há todo um sistema de ensino dentro do OASIS.

“Era o despertar de uma nova era, na qual a maioria da raça humana passava todo o tempo livre dentro de um videogame.” (Página 80) 


Após a sua morte, Halliday deixa um vídeo em que revela uma caça ao tesouro. Ele havia escondido no jogo, três chaves e quem as encontrar herdará toda a sua fortuna e se tornará dono do OASIS. Encontrar esses easter-eggs provou ser uma tarefa quase impossível, contando apenas com um enigma como pista, milhões de pessoas partiram em uma corrida contra o tempo para desvendar o primeiro enigma, porém se passam cinco anos e ninguém descobre nada e milhares de pessoas passam a acreditar que essa caça ao tesouro não passava de uma mentira, até que um dia o placar mundial muda. 

“Quando me sentia deprimido e frustado com a vida, só precisava apertar o botão do Jogador 1 e meus problemas sumiam de minha mente instantaneamente.” (Página 22) 


Nesse cenário, somos apresentados ao protagonista Wade Watts, um adolescente órfão nerd que vive com a sua tia abusiva e o namorado em um estacionamento de trailers em uma região precária dos Estados Unidos pós apocalíptico. Apesar da sua situação, Wade, assim como todos que se registraram no sistema de ensino do OASIS, recebeu um console para jogar no OASIS. Ele é uma pessoa reclusa, que tem dificuldade de interagir com as pessoas do mundo real, por sua vez, ele se torna uma pessoa completamente diferente quando joga. 

“Ali, dentro do universo de duas dimensões do jogo, a vida era simples: você contra a máquina. Ande com a mão esquerda, atire com a direita e tente sobreviver por mais tempo que conseguir.” (Página 22) 


Como diversos milhares de pessoas, Wade se torna um caça-ovo, uma pessoa obcecada com qualquer coisa relacionada a Halliday. Ele passa horas estudando filmes, livros e jogos que Halliday gostava, assim como passada inúmeras horas lendo “O Almanaque”, uma espécie de bíblia geek, que continha a biografia de Halliday. 

“E então a caça ao Easter Egg de Halliday começou. Acredito que isso foi o que me salvou. Finalmente eu havia encontrado algo que valia a pena. Um sonho pelo qual valia a pena lutar. Nos últimos cinco anos, a Caça havia me dado um objetivo e um propósito. Uma missão a cumprir. Um motivo para me levantar de manhça. Algo pelo que esperar.” (Página 29) 


O livro é recheado de referências geeks da década de 80, mesmo não tendo vivido nessa época achei muito interessante e original a ideia de fazer essa homenagem a inúmeras obras que serviram de base para a criação de grande parte do que conhecemos hoje na cultura geek. Porém, no decorrer do livro essas referências se tornam absurdamente frequentes, interrompendo a dinâmica da narrativa e fazendo com que o livro se pareça mais uma lista de referências. 

A narrativa nos primeiros capítulos é rápida e intrigante, porém isso não acontece no restante do livro, uma vez que os capítulos se tornam arrastados e monótonos. Os personagens não me cativaram como eu achei que fariam, seu desenvolvimento é superficial e muitas de suas histórias são grandes clichês. 

“[...] por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real. Entendeu?” (Página 451) 

Os impossíveis enigmas criados por Halliday são solucionados sem nenhum tipo de explicação. Wade passa diversos capítulos sem nenhum foco para o autor simplesmente cortar o desenvolvimento da trama e aparecer com a resposta. 

Outro ponto que me incomodou foi em questão da crise energética, se é tão grave assim, a ponto de ter transformado diversas cidades em pilhas de sucata, como as pessoas conseguem acessar o OASIS o tempo todo e ainda pagar a conta de luz? Outro ponto foi o “romance” no qual o autor desperdiça diversas páginas em algo que brotou do rejunte. Em minha opinião, Cline poderia o ter deixado de lado, ainda mais por não ser o foco do livro e ter sido desenvolvido tão fracamente. 

Cline conseguiu criar um universo de realidade artificial maravilhoso, porém ele não soube desenvolver a história. Os momentos em que os personagens estavam fora do OASIS não adicionaram praticamente nada ao enredo, tornando uma leitura arrastada ainda mais lenta. 

Resumindo, Jogador Nº 1 me decepcionou bastante, esperava muito mais do livro, ainda mais por possuir uma premissa tão interessante. A junção de diversos furos na história, personagens sem desenvolvimento e narrativa monótona torna Jogador Nº 1 um livro que eu pensei em largar diversas vezes e que só não desisti, pois achava que o final me surpreenderia o que mais uma vez não aconteceu. Ao contrário do que está na capa, o livro passa bem longe de ser o novo Matrix

12 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Já li muitas resenhas positivas de "Jogador nº 1", por isso sempre quis ler a obra. Agora, fiquei com o pé atrás deviso sua avaliação.
    Gosto desse universo geek, mas sem exageros. Gostei da resenha.

    Abraço!
    http://tudoonlinevirtual.blogspot.com.br/

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    1. Oii, Sávio tudo e com você?
      Eu também lia muitas resenhas positivas, por isso não esperava não gostar do livro... Dê uma chance, espero que ele seja bom para você! :)
      Obrigada!
      Beijos~

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  2. Oi, Isa! Tudo bem? Ah, que pena saber que o livro te decepcionou! Ele tinha uma premissa bem interessante e parecia ser ótimo... Adorei a resenha! <3

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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    1. Oii Tony, tudo e com você?
      Nem me fale!! Fiquei super chateada de ele não ter sido o que eu esperava e tanto ouvia por ai..
      Obrigada! <3
      Beijos~

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  3. Olá, tudo bem?
    Apesar dos furos (problema energético, mas muita gente jogando e usando energia), a trama parece ser bem interesse. Parece ser um bom livro para ler despretensiosamente.
    Aliás, gostei do fato de ter diversas referência ao mundo nerd. Gosto disso na literatura.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

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    1. Oii, tudo e com você?
      Sim! O problema é que quando eu peguei o livro para ler estava com uma expectativa muito alta... Eu também gosto, o problema é que o autor quebra o desenvolvimento do enredo, colocando-as em excesso :(
      Beijos~

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  4. Oie =)

    Li esse livro faz bastante tempo, mas gostei bastante da história. Acho que dentre as distopias que já li é uma das mais originais.

    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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    1. Oii Ane, tudo bem?
      Achei a ideia super promissora só que acabei não gostando como o autor desenvolveu, esse livro foi uma das minhas grandes decepções de 2015 pois estava MUITO ansiosa para ler :C
      Obrigada!
      Beijos~

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  5. Olá. Acho que sua resenha foi a primeira ~negativa~ que vi desse livro, já que tantas outras o consideram uma das mais bacanas da nossa época no que diz respeito ao genero. Eu ainda não li e confesso que a premissa não me conquistou a ponto de eu querer ler logo. Mas parece ser um pouco divertido apesar de tudo.Beijos
    Sil - Estilhaçando Livros

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    1. Oii Sil, tudo bem? Pois é.. A grande maioria das resenhas que eu vejo são positivas mesmo... Acho que o meu problema foi ter lido com expectativas muito altas, uma vez que o autor apresenta uma premissa que eu tinha achado muito interessante só que ele acabou não sabendo desenvolver... É um bom livro para se ler sem expectativas kkkkk
      Beijos~

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