segunda-feira, 23 de outubro de 2017

{Outubro Trevoso} [Resenha] American Horror Story #6: Roanoke

"Believe me, they will find us. And if you had any brains at all, you'd get out of here now. Because this house has a strange way of ripping that frat boy smile right off your face." (Lee Harris)



Sou fã de “American Horror Story” desde sua premiere em 2011. Acompanhei semanalmente, quase surtando diga-se de passagem, cada episódio de cada uma das suas 4 temporadas. Porém por volta da metade da quinta temporada, “American Horror Story: Hotel”, e com a realização que Jessica Lange realmente não voltaria mais, a luz da minha fascinação se apagou - podemos dizer que a Lady Gaga ajudou a apagar na paulada.

Será que foi o plot fraco? A entrada de Lady Gaga na série, com sua atuação teatral e forçada? Ninguém pode dizer… A única coisa que fica marcada é que “Hotel” apagou a chama da paixão.

Talvez vocês pensem que eu parei de assistir por causa dos absurdos e da mistura de diversos elementos bizarros. Vamos relembrar “Asylum”? O que poderia ser mais absurdo e fantástico do que essa temporada? Então, não. Não parei de assistir por causa dos “monstros” de “Hotel”, que foi a primeira e única - espero - temporada que eu não assisti até o final. Que na verdade não consegui engolir.
Essa minha desilusão foi tamanha que parei de acompanhar as temporadas posteriores. Pelo menos até o começo da primeira semana de outubro, quando redescobri “American Horror Story”e assisti a sexta temporada, “Roanoke”, em 2 dias. É sobre isso que vim falar hoje: “American Horror Story: Roanoke”.

Esta temporada, como todas as suas predecessoras é independente (tenho minhas dúvidas até quão independente as temporadas são, mas isso é assunto para uma outra hora) e eu realmente não sabia o que esperar. Tendo assistido 1 ano depois de sua estréia e não sabendo absolutamente nada - chamem de milagre a ausência de spoilers, ainda mais no mundo atual, onde todos os babacas da internet uniram suas forças para destruir a experiência inédita do público leigo - Roanoke era uma caixinha de infinitas possibilidades.


Uma das únicas coisas que eu sabia, e que inclusive me fez assistir essa série, era o fato de que voltaríamos às origens e teríamos uma temporada sobre uma casa (quem sente saudade de “Murder House” levante seu cutelo!). “Ah, eles estão tentando corrigir a cagada de “Hotel”, vamos lá! *gritinho histérico de fangirl” Duas noites assistindo incansavelmente, e parecendo um zumbi, depois fiquei com um gostinho de quero mais ao mesmo tempo em que pensava: “mas que porra acabou de acontecer aqui?”


O que tirou meu chão, foi a forma com que a série foi elaborada. Não teríamos uma filmagem convencional, onde há apenas um câmera andando pelas sombras. A base de “Roanoke” era um programa de televisão do tipo “caça fantasmas” ou “minha experiência de quase morte, blá blá blá”, em que teríamos a narração das vítimas, sentadas olhando para uma câmera em um estúdio, enquanto era feita uma recriação por atores. Vou deixar um adendo aqui: porra! eram outros atores! O quão sensacional é isso?


A história por trás dos horrores de Roanoke é simples e até um tanto clichê: um casal feliz compra uma casa no meio do fucking além - Judas perdeu as botas alguns anos luz de onde eles compraram essa porra de casa - movidos por um impulso idiota, por terem se sentido atraídos pela casa dos sonhos. Mesmo que essa desgraça de casa esteja caindo aos pedaços e berrando: “sou assombrada, não me comprem!”

Como era de se esperar, as coisas começam a ficar bizarras assim que as luzes se apagam, e Matt e Shelby se veem presos em um pesadelo que eles não conseguem acordar...


Uma outra coisa sensacional é que são cinco episódios sobre esse programa de televisão fictício, o “My Roanoke Nightmare”, enquanto os outros cinco são a segunda temporada desse show, em que um diretor com mente perversa resolve reunir o elenco da primeira temporada e as pessoas reais que contaram sua história *som do meu cérebro explodindo.

Claro, temos alguns momentos bem toscos e clichês. Porém, o que sempre me fascinou em “American Horror Story” foi o fato de os produtores conseguirem misturar temas extremamente clichês do terror sem que isso seja uma bosta completa. A associação dos clássicos do gênero e elementos completamente aleatórios e absurdos - em certas partes cômicos - casa perfeitamente com o clima da série.


“Ai, como você é hater da Lady Gaga… Ficou falando mal da quinta temporada mas amou a sexta sendo que ela também participa…” Graças a deusa ela não está em um papel central como em “Hotel”, porque eu realmente não ia suportar imaginar o que ela veio para substituir Jessica Lange. Para falar a verdade eu nem sabia que era ela, só descobri depois de pesquisar sobre o elenco...
“Roanoke” conseguiu despertar todo tipo de sentimento, o melhor de todos e mais marcante foi aquele frio na barriga clássico, o medo na sua forma mais pura. Porém, essa temporada pecou no que a maioria dos filmes, séries e livros peca: no excesso de explicações. As vezes é melhor deixar o mistério para sempre como um mistério. Já que a tentativa de explicar o porquê das coisas normalmente resulta em algo charlatão e forçado, e faz com que percamos o medo. Veja bem, as explicações podem até fazer sentido, mas ao acender a luz do armário, vemos que os monstros que nos assombravam eram na verdade casacos pendurados.


Apesar da completa mudança de ares da sexta temporada, ainda mais em comparação a quinta temporada, ainda ficam algumas críticas quanto ao rumo que a história toma.

Como foi dito, as elucidações dos mistérios são estúpidas e apelam para clichês do passado. Não é que esta temporada não tenha sido boa, porém conforme a luz ia sendo acesa gradativamente, a magia ia sumindo, sendo substituída por respostas mequetrefes.

Outra grande questão é o vazio que Jessica Lange deixou. Não consigo deixar de imaginar como a série poderia ter sido com ela. A permanência do elenco das outras temporadas - menos você Lady Gaga - é essencial e  traz um gostinho de nostalgia que é impossível de não agradar os fãs antigos - um ponto alto dessa temporada foram os gritos da Sarah Paulson de “Matt!!!”, que me renderam boas risadas. Um ponto para “Roanoke”.


Como todo bom final de “American Horror Story”, algumas perguntas são respondidas com mais perguntas e com situações absurdas e completamente insanas que fazem nosso cérebro encolher - como se pingássemos uma gota de limão. Algumas coisas vem para o bem, outras para foder seu cérebro.

Diretora: Brad Falchuk e Ryan Murphy
Ano: 2016
Episódios: 10
Classificação: ★★★★,5/✰✰✰✰✰

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