sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

[Especial] 5 Motivos para ler It: A Coisa, de Stephen King!


Acho que a primeira coisa que eu deveria dizer é: esse post não é bem uma resenha. Não acho que eu vá conseguir expressar tudo o que eu senti ao ler esse livro (sou dramática meeeesmo), com apenas a resenha. Por isso, resolvi começar enumerando 5 motivos para ser ler "It".

Não é mistério para ninguém que eu estava organizando um projeto meio dominado pelo flop, de ler "It: A Coisa". Apesar de ter dividido a leitura em cinco meses (aproximadamente 250 páginas por mês), fui acometida por um flop em meados de outubro, e acabei parando de ler um pouco. Nos primeiros dias de 2017 me bateu uma onda de inspiração e eu li pelo menos 800 páginas sem parar, até chegar ao fim e perder o sentido da minha vida. Venho aqui hoje dar 5 motivos para ler uma das grandes chaprocas de Stephen King:


EEEEEPA, espera aí... Antes de falar sobre uma coisa muito boa, sou obrigada a falar do filme... Assisti o filme de 1990 depois de ter lido o livro e só posso dizer: que bosta foi aquela? Do começo ao fim não houve praticamente nenhuma fidelidade ao livro, no mínimo é a prima distante feia e do mal. Não há aquela conexão entre os personagens e tudo é meio jogado ao vento. A única coisa boa é a Coisa (estrelada por Tim Curry), que me tirou altas risadas por ser tão debochada. Se eu puder fazer um pedido a vocês ele seria: por favor, não assistam ao filme, pelo menos não antes de ter lido o livro. Confesso que agora até estou com medo de assistir a nova adaptação que vai sair em setembro desse ano...

Nota: Pennywise 2.0 = cagaço 2.0

Voltamos a nossa programação normal!

1.Desenvolvimento de um cenário onde tudo está relacionado

Nota: Home sweet home...

Vamos lá meu povo, um livro com mais de 1000 páginas tem bastaaaaaante espaço para o desenvolvimento dos personagens, agora imaginem da cidade do capeta, vulgo Derry? O livro conta com algumas linhas temporais, sendo elas: o passado, quando os integrantes do clube dos otários eram crianças. O presente, com eles adultos. E as entradas do diário de Mike, que apresentam algumas outras linhas, já que ele escreve ao decorrer dos 28 anos e ainda temos os depoimentos de diversas pessoas que presenciaram eventos que envolviam a coisa.

Tudo que é apresentado tem um sentido, por mais que você não entenda na hora por que diabos tal evento está sendo contado com tantos detalhes, lá na frente as peças vão se encaixar.

2. Você se lembra dos seus amigos de infância?


Nota: Isso que dá procurar imagens a esmo no google, você acha uma perfeita mas não encontra a fonte... Scott C. você sabe que você é o autor dessa maravilha <3


Quando eu comecei a ler esse livro e via algumas pessoas falando que a história era sobre amizade e não sobre a Coisa, eu achava que elas tinham batido a cabeça no chão. Porém olhem só vocês, é um livro sobre o “poder da amizade” mesmo – de repente isso se tornou um episódio de My Little Poney. Enfim, ao decorrer da narrativa somos apresentados a sete protagonistas – sim, no começo (até quase a metade) é normal não fazer idéia de quem é quem – com personalidades e interesses distintos, que em uma situação normal, provavelmente não se tornariam amigos. Porém a forma com que tudo caminha até a formação do clube dos otários, e os eventos que se sucedem, cria-se um laço invisível e extremamente forte entre os protagonistas. Durante diversos momentos talvez apenas a confiança e o amor que eles sentiam um pelo outro foi a responsável pela preservação da sua sanidade.

Parece meio clichê e idiota falar sobre o “poder da amizade”, mas é exatamente isso o que acontece.  Se o clube dos otários não tivesse se unido, era praticamente certo de que estariam mortos bem antes da metade do livro. O King consegue criar um terror que envolve os personagens e é eficiente, justamente por se associar a pontos muito mais profundos do ser humano, não apenas o medo em si. O que nos leva ao próximo ponto:

3.Terror

Stephen King + palhaço, preciso dizer mais alguma coisa? Apesar de não ser o foco principal do livro, o terror está bem presente. A primeira aparição da Coisa, onde ela “brinca” com Georgie é de gelar os ossos – claro, que eu fiquei com um leve cagaço, ainda mais por estar lendo de madruga e de costas para a porta (parece que ver filmes de terror durante todos esse anos não me ensinou muita coisa).


Nota: Terror mesmo é a ressaca depois de ler esse livro...

Além do terror psicológico, este livro tratará de um dos piores, se não o pior, horror: a natureza humana. Mesmo se tratando de crianças, sabemos que o ser humano pode ser bem cruel e impiedoso, agora adicionem preconceito racial, violência doméstica e bullying a essa mistura, em que resulta isso? Talvez a realidade? Justamente por se tratar de coisas que, infelizmente, acontecem no cotidiano – ao contrário, por exemplo, de um lobisomem ou uma múmia – e mesmo estando associados a uma trama muito mais profunda – à Coisa, por se dizer – estes pontos, em que qualquer um pode se identificar, tornam real uma história em que você pensa “Ah, mas isso nunca vai acontecer comigo...” e aí meus amigos, mora o verdadeiro terror.

4.Personagens cativantes

Desafio você a ler esse livro e não se apaixonar pelos personagens, principalmente o nosso septeto. Todos os personagens, sejam os protagonistas ou até mesmo pessoas que passaram pela história de Derry, apresentam personalidades e histórias distintas. Parece que alguém realmente estava me contando sua história, e assim que eu saísse na rua, os encontraria dando uma volta por aí.


Nota: Como não simpatizar com esse sorriso?

Ao terminar o livro, é impossível não sentir falta dessas pessoas, que acabaram se tornando reais e parte de nossos dias. Se tem uma coisa que o King faz com exímia maestria, é criar personagens magníficos (e algumas outras dezenas de coisas). Até me atrevo a dizer que o final desse livro vai fazer você suar pelos olhos...

5.E não menos importante, a Coisa

Nota: Sendo sexy sem ser vulgar.

Além de ser uma coisa que aterroriza Derry, principalmente as crianças, nossa grande vilã tem um senso de humor tão negro e tão engraçado que é impossível não se aterrorizar enquanto ela te arranca uns bons hahas (cortesia do nosso amigo Richie) – e talvez um braço ou dois. A forma com que a Coisa é descrita inicialmente e a sua última aparição demonstram como, até ela, cresceu com toda essa experiência.

A Coisa também serve de metáfora para os conflitos da vida. As coisas pelas quais somos obrigados a passar, as coisas que superamos, as coisas que nos botam para baixo, as coisas que abandonamos, as coisas que esquecemos conforme a inocência da infância se distancia. A Coisa, assim como a vida, é sempre a mesma, mas ela é diferente para cada um de nós e, assim como nós, muda, amadurece, aprende com seus erros, cria cascas nas feridas, torna-se melhor e pior ao mesmo tempo.

Um aviso para pessoas coulrofobia (medo de palhaço): Não se preocupem com as aparições do nosso querido palhaço Pennywise, a Coisa tem muitas formas e eu posso garantir que Pennywise não é a pior delas...

***

De um modo geral lhes digo: não se assustem com o tamanho desse livro, ele é completo e fechado, apresenta personagens fenomenais, um cenário que é muitíssimo bem descrito, um antagonista sensacional e um plot twist que vai arrancar seu cérebro e enfiar ele no seu umbigo. Se eu puder dar um conselho para você (sim, mais um conselho, estou me sentindo sábia hoje), que pretende ler “It”, esse conselho seria: POR FAVOR, leia devagar. A ressaca que vai te derrubar depois de terminar esse livro e a saudade que o clube dos otários vai deixar são tão grandes que 1103 páginas, no final das contas, é pouco.

“Ele soca postes de montão e insiste que vê assombração.”

Nota: Bons sonhos crianças!

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